Alquimia das Virtudes Alquimia das VirtudesBlog · por Isabella Becker
Comportamento

Ninguém fuma só nicotina

O cigarro e o copo carregam mais do que química. Carregam colo, turma, aplauso e a sensação de ter chegado. E esse sentido age antes da substância, às vezes até sem ela.

Por Isabella Becker · Alquimia das Virtudes

O cigarro que você acende depois de uma briga não está atrás de nicotina. Pelo menos, não só. Se você fuma, sabe quais são os cigarros que mais pesam: o do café, o da pausa, o da notícia ruim, o da noite em que ninguém ligou. E se você bebe, sabe que o copo do aniversário não é o mesmo copo da terça-feira à tarde, sozinho no quarto, sem nada para comemorar.

A nicotina é real. O álcool é real. Os dois agem no corpo, e eu vou falar disso. Mas o cigarro e o copo carregam outra coisa, e essa outra coisa age antes da química. Às vezes, age até sem ela.

Antes de seguir, duas ressalvas. A primeira: dizer que um objeto carrega um símbolo não diminui a substância. A dependência de nicotina e a de álcool são condições de saúde, com efeitos no corpo, e parar o álcool de repente pode ser perigoso. A segunda: os sentidos que vou descrever não estão em todo mundo do mesmo jeito. São perguntas para fazer à sua história, não um diagnóstico de ninguém. Quem fuma ou bebe não é fraco nem mau. Na Virtologia, de Eduardo Casarotto, a busca de importância e a busca do próprio alívio são dois sistemas do cérebro que todo ser humano tem: o orgulho e o egoísmo. O vício se apoia neles, e é por isso que ele pega gente tão diferente.

Em Por que você continua fazendo o que já nem te dá prazer mostrei o circuito do querer, que aprende a puxar com cada vez mais força. Aqui o assunto é outro: o que o objeto significa para quem o procura.

A nicotina pesa, mas não pesa sozinha

Comecemos pelo corpo. A nicotina entra, se encaixa num receptor do cérebro, e a dopamina sobe na via mesolímbica, o caminho que registra o que vale a pena repetir. O pico é pequeno. Ninguém fica fora de si com um cigarro. Só que esse pico pequeno se repete o dia inteiro. Quem fuma um maço por dia leva a mão à boca muitas vezes, todos os dias, durante anos. Casarotto observa que não existe outra droga gravada tantas vezes no cérebro de uma pessoa.

Com a repetição, o uso deixa de ser pelo prazer e passa a ser para aliviar o mal-estar, como descreveram George Koob e Michel Le Moal (2008). O fumante diz "o cigarro me acalma". Em boa parte, o que ele está acalmando é a falta do cigarro anterior. Passou a manhã sem fumar, ficou irritado e ansioso, acendeu um e sentiu alívio. E concluiu que o cigarro trata a ansiedade. Ele trata, sobretudo, a abstinência que o próprio cigarro criou.

Até aqui, química. Agora repare em dois achados que o livro O Que Nos Prende traz lado a lado, porque um não anula o outro.

O primeiro vem dos experimentos de Jed Rose e colaboradores (2000; 2003), que separaram o que no fumar é farmacológico e o que é sensorial. O gesto, a fumaça, a sensação na garganta participaram da satisfação. O segundo vem de Donny e colaboradores (2015): quando a nicotina dos cigarros foi reduzida, caíram o consumo, a dependência e a fissura, nas condições daquela pesquisa. Ou seja, a nicotina pesa, e muito. E mesmo assim não explica tudo. Uma explicação honesta do fumar precisa de mais de uma peça.

A química explica a força do hábito. O símbolo explica o que o hábito está pagando.

O símbolo age antes da química

Com o álcool, a prova é ainda mais clara.

Em 1973, o psicólogo Alan Marlatt fez um experimento com pessoas dependentes de álcool e com bebedores sociais. Metade ouviu que estava bebendo álcool, metade ouviu que não estava. E, de verdade, metade bebia álcool e metade não, com tudo cruzado. O que decidiu quanto cada um bebeu não foi o álcool que estava no copo. Foi o que a pessoa achava que estava no copo. E o efeito foi maior nos dependentes (Marlatt, Demming e Reid, 1973).

Em 2009, na França, Laurent Bègue e colaboradores repetiram a lógica com a agressividade. Quem acreditava ter bebido ficou mais agressivo, e a quantidade real de álcool no sangue não fez diferença. Em 2010, o mesmo grupo mostrou que bastava ver a foto de uma garrafa, por uma fração de segundo, para o cérebro reconhecer mais depressa palavras agressivas, tanto quanto com a foto de uma arma (Subra e colaboradores, 2010). Ninguém bebeu nada. A garrafa, só de ser vista, acionou o que ela representa.

E há o preço. Em 2008, pesquisadores da Califórnia deram a voluntários, dentro de um aparelho de ressonância, o mesmo vinho com dois preços diferentes: uma vez como um vinho de 5 dólares, outra como um de 45. Com o preço mais alto, o mesmo vinho foi sentido como mais gostoso, e o córtex orbitofrontal medial, uma região logo atrás da testa que participa do prazer vivido e do valor que damos às coisas, ativou mais (Plassmann e colaboradores, 2008). O líquido era o mesmo. O prazer mudou com o que a pessoa acreditava estar bebendo.

O símbolo não é enfeite. Ele funciona no corpo.

O que o cigarro carrega

Agora entra a leitura de Casarotto, que parte da história de cada pessoa e conversa com autores clássicos da clínica. Ela se apoia numa ideia que atravessa toda a Virtologia: a Falta, o buraco de fundo que move a pessoa. Pode ser a sensação basal de não estar inteiro, uma marca que a história deixou ou uma competência que nunca se formou. Nessa leitura, o objeto de uso é a tampa mais rápida que o cérebro conhece para esse buraco.

O cigarro é um objeto pequeno, que se coloca entre os lábios e se suga. Entra uma coisa quente pela boca e desce para o peito. A primeira experiência de segurança que um ser humano tem na vida passa pela boca: é ali que a fome passa, que o choro para, que o corpo relaxa. Por isso, na leitura dele, o cigarro pode ocupar o lugar do colo. É o "calma, já vai passar". É por isso que tanta gente acende um cigarro quando briga, quando recebe uma notícia ruim, quando está ansiosa ou sozinha. Naquele momento, ela está atrás de colo.

O pediatra inglês Donald Winnicott descreveu, em 1953, o objeto transicional: o paninho, o ursinho, a ponta do cobertor que a criança aperta para dormir sem a mãe por perto. Casarotto toma essa ideia e resume: o cigarro é o ursinho do adulto, só que um ursinho que pega fogo e entra no pulmão.

E o cigarro, sobretudo o charuto, carrega também a força: a proteção e o comando de quem manda. Na linguagem das gerações passadas, colo era a mãe e força era o pai. Casarotto faz questão de marcar que isso é o símbolo de uma época, não uma regra sobre homem e mulher. O colo e a proteção não têm sexo. São de quem cuidou e de quem protegeu.

A indústria entendeu isso cedo. Em 1929, para que as mulheres fumassem em público, uma fabricante americana encenou no desfile de Páscoa de Nova York um grupo de moças acendendo cigarros diante dos fotógrafos. Chamaram de "tochas da liberdade". Em 1954 veio o caubói do Marlboro, o homem mais homem da propaganda americana. O produto era o mesmo. Num momento, foi vendido como a liberdade da mulher. No outro, como a masculinidade do homem. O que se vendeu foi o símbolo.

Uma ressalva que Casarotto faz, e que eu repito: os estudos de Rose não mediram colo, poder ou vitória como causas do hábito. Essa investigação de sentidos pertence à escuta de cada história. Ninguém deve presumir que todo fumante busca colo, nem que o símbolo pese mais do que a substância em qualquer pessoa.

O que o copo carrega

Com a bebida, a Falta coberta é outra. O cigarro cobre a falta de colo e de proteção. A bebida, na leitura de Casarotto, cobre a falta de amizade e a falta de ser reconhecido.

Primeiro, a turma. O pesquisador Robin Dunbar, da Universidade de Oxford, estudou os pubs ingleses e propôs que o álcool, bebido junto, aciona o mesmo sistema de endorfinas que o riso, o canto e a dança acionam: o sistema do vínculo. Os dados dele indicam que o álcool mantém os laços que já existem mais do que cria laços novos (Dunbar e colaboradores, 2017). O boteco é isso: o lugar onde gente muito diferente senta na mesma mesa de plástico.

Depois, o aplauso. A bebida é o brinde. A gente brinda quando passa na prova, quando o time ganha, quando casa, quando nasce o filho. Ninguém brinda a uma derrota. O copo erguido diz: você venceu, e nós estamos vendo. E aqui entra o orgulho, que na Virtologia é o sistema da necessidade de importância, o SNO, Sistema Neurofuncional do Orgulho. Expliquei esse sistema em O orgulho não é o que você pensa. O símbolo da bebida se prende exatamente ali, no "eu valho" e no "eu sou visto".

É por isso que uma garrafa cara é vendida em vidro pesado. Betina Piqueras-Fiszman e Charles Spence (2012) pesaram 275 garrafas de vinho e mostraram que o peso acompanhava o preço, e que os consumidores associavam a garrafa mais pesada ao vinho melhor. O economista Thorstein Veblen já tinha escrito, em 1899, que artigos caros são sentidos como nobres e honrosos, e que até a embriaguez tende a parecer honrosa quando mostra que a pessoa pode pagar por ela. Uma garrafa de uísque de 1926 foi leiloada em Londres, em 2023, por mais de dois milhões de libras. Ninguém paga isso para ficar bêbado.

Cada um bebe o troféu que o bolso alcança. Quem ganha pouco comemora na cachaça. Quem pode mais compra o uísque caro. Mas os dois compram o mesmo símbolo.

"O homem da cachaça e o homem do uísque de milhares de reais estão bebendo a mesma coisa. Não é o mesmo líquido. É a mesma Falta." — Eduardo Casarotto

Esse símbolo é tão forte que ele disfarça o problema. Segundo o CISA, em 2025, 82% dos brasileiros que bebem de forma abusiva acham que bebem com moderação. Se é festa, não parece doença.

Quando o copo vira linha de chegada

O símbolo pode trocar de sinal. Enquanto a bebida está na mesa, com os amigos, ela diz "eu estou com vocês". Quando vai para o quarto fechado, passa a dizer "eu não aguento sem isso".

A pesquisadora Kasey Creswell e colaboradores (2022) acompanharam milhares de jovens americanos por 17 anos. Quem bebia sozinho aos 18 anos tinha 35% mais chance de ter sintomas de transtorno por uso de álcool aos 35. Quem bebia sozinho aos 23 ou 24, 60% mais chance, mesmo comparando pessoas que bebiam a mesma quantidade.

E há uma frase que Casarotto ouviu, segundo ele, centenas de vezes, em consultório e em comunidades terapêuticas: "se eu beber, eu já cheguei no final". Vou trabalhar para quê? Vou conquistar para quê? Para essas pessoas, a bebida virou o ponto de chegada. Como o copo carrega sozinho o símbolo da vitória, dá para pular o caminho inteiro e ir direto para a linha de chegada. A conquista de verdade demora, cansa, depende dos outros. O copo entrega a sensação da conquista em dez minutos.

A frase "já cheguei no final" tem um segundo sentido, e ele é cruel. Fala da linha de chegada e fala do fim.

O psiquiatra Viktor Frankl colocou a adicção, ao lado da depressão e da agressão, entre as grandes respostas ao vazio de sentido. E há pesquisa apontando na mesma direção: entre 364 pessoas com dependência de álcool acompanhadas por dois anos e meio, as que entraram em remissão foram as que tiveram maior aumento de propósito de vida (Krentzman e colaboradores, 2015). Na Virtologia, a leitura é esta: a bebida tapa a Falta exatamente no lugar onde a Falta deveria ficar aberta para mover a pessoa.

Por que o vape pegou os jovens

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, do IBGE, mostrou que, entre estudantes de 13 a 17 anos, a experimentação de cigarro eletrônico subiu de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. Quase três em cada dez. No mesmo período, na mesma pesquisa, caiu a experimentação de cigarro comum, de bebida alcoólica e de drogas ilícitas (IBGE, 2026). Tudo caiu. Só o vape quase dobrou. E isso com a venda proibida no Brasil desde 2009, proibição reforçada pela Anvisa em 2024.

Se não é a propaganda de televisão que vende, o que vende? Casarotto responde: a necessidade que está esperando. O grupo, a festa, o pertencer, o ser visto. Quando a necessidade está viva, ela encontra o objeto, com lei ou sem lei.

Repare no objeto. Cabe na palma da mão. Não tem cinza, não deixa cheiro pesado na roupa. Tem cor, sabor, desenho. E não tem fim. O cigarro acaba: queima, termina, vai para o lixo. Ali existe um ponto final, nem que seja de alguns minutos. O vape não termina. Está no bolso, na mochila, debaixo do travesseiro.

A porta de entrada, no tabaco, quase nunca foi a nicotina. Foi o grupo. O primeiro cigarro de quase todo mundo foi oferecido por alguém, fez tossir, deu tontura. O corpo disse não e o grupo disse sim, e o grupo falou mais alto. No vape a porta é ainda mais larga: ele quase não faz tossir, tem gosto doce e passa de mão em mão na festa.

"O cigarro do avô era o símbolo do homem que manda. O vape do neto é o símbolo de quem pertence." — Eduardo Casarotto

Se você achou um vape na mochila do seu filho, respire antes de falar. A bronca e a humilhação vão direto no orgulho dele, e o orgulho ferido aprende a esconder melhor, não a parar. Pergunte e escute. O que ele ganha com isso? A turma? O ser visto? O alívio da ansiedade? É ali que está o trabalho. E olhe para dentro de casa: o filho aprende com o gesto dos adultos, não com o discurso.

Quando o charuto é só um charuto

Existe uma frase famosa atribuída a Freud: "às vezes um charuto é só um charuto". O pesquisador Alan Elms mostrou, em 2001, que não há registro de Freud dizendo isso. Mas a pergunta merece resposta. Quando um charuto é só um charuto?

A Virtologia responde pelas Faixas de Evolução, os sete níveis de consciência com que uma pessoa percebe e reage a cada tema da vida. O pensamento simbólico é próprio das faixas mais primitivas. No tema em que alguém ainda está numa faixa primitiva, o charuto é poder e o copo é troféu. À medida que a pessoa sobe de faixa naquele tema, o objeto deixa de carregar o símbolo e volta a ser só o objeto. Para quem precisa provar o próprio valor, o copo é troféu. Para quem já se sabe valoroso, o copo é líquido.

"O trabalho não é decifrar símbolos. É elevar a consciência ao ponto em que eles se dissolvem." — Eduardo Casarotto

É por isso que brigar com o símbolo não resolve. Ele perde força quando a necessidade que ele pagava encontra outra resposta.

As quatro perguntas do objeto

Separar o objeto do símbolo. Casarotto chama estas perguntas de manejo do charuto. Elas servem para o cigarro, o vape, o copo ou a garrafa. Não confirmam nem excluem dependência, e responder a elas não exige parar de usar para testar a própria vontade.

  1. Prazer ou alívio? Quando você faz isso, o que você sente? O prazer vem com o corpo se expandindo. O alívio vem como descarga, como quem tira um peso. Alívio quer dizer que havia uma tensão antes.
  2. Para quem é? Você bebe aquele uísque porque gosta do gosto, ou para ser visto bebendo? Acende o cigarro para você, ou para a roda?
  3. E quando ninguém comenta? Se ninguém viu a garrafa, se ninguém brindou com você, se ninguém reparou, você sente uma queda? Se sente, aquilo estava pagando reconhecimento.
  4. Desde quando? Quando isso entrou na sua vida, e o que estava acontecendo naquela época? Muitas vezes o primeiro cigarro que ficou apareceu numa perda, numa humilhação, numa solidão.
  5. Escreva em uma frase o que o objeto paga. O meu cigarro me dá colo. O meu copo me dá aplauso. A minha garrafa me dá a sensação de que eu cheguei.
  6. Ao lado, escreva onde mais você pode conseguir aquilo. Não precisa ser perfeito. Uma pessoa para quem ligar. Uma conquista pequena para hoje. Um serviço que você pode prestar a alguém.

As respostas são hipóteses de trabalho, não sentenças sobre o seu passado. Leve-as para quem acompanha você. Elas ajudam a escolher o que cuidar primeiro.

Pagar a Falta de outro jeito

O primeiro cuidado é a avaliação de saúde. Parar o álcool ou sedativos pode exigir acompanhamento médico, e a rede de saúde oferece tratamento para quem quer parar de fumar. As virtudes entram junto com esse cuidado, nunca no lugar dele.

Se o cigarro está pagando colo, a Falta é de acolhimento, de contato, de companhia. Isso se atende com vínculo, com toque, com a família aprendendo a acolher sem sufocar.

Se o copo está pagando reconhecimento, o trabalho começa no orgulho. E aqui a ordem importa, porque na Virtologia nenhuma virtude trabalha sozinha. A Pirâmide das 33 virtudes diz o que vem antes.

A Humildade abre. Quem não precisa mais provar o próprio valor não precisa mais do troféu líquido. É também ela que permite o primeiro passo, que é admitir a dificuldade e pedir ajuda. A Abnegação vem em par com ela e trabalha o egoísmo, o SNE, Sistema Neurofuncional do Egoísmo: ela tira o alívio de agora do centro e devolve o lugar de quem convive com você, a criança que respira a fumaça, a pessoa que espera acordada.

Depois, o resto da Base. A Aceitação, para atravessar os primeiros dias de irritação sem transformar cada desconforto numa catástrofe. O Perdão, para as tentativas que não deram certo. A Responsabilidade, para cuidar do próprio tratamento. O Estado de Certeza, para seguir sem garantia. A Perseverança, para a quarta e a quinta tentativa. E a Individuação, para descobrir quem você é sem o cigarro na mão, porque muita gente já não sabe quem é sem ele.

Só depois vem o Desenvolvimento. A combinação canônica da Virtologia para o vício, a compulsão, o impulso e o imediatismo é Humildade, Abnegação, Verdade, Brandura, Paciência, Responsabilidade e Aceitação. A Brandura é a calma que não precisa de fumaça, a pausa feita respirando e não tragando, e ela só se sustenta sobre a Base. A Busca do Melhoramento, que exige antes Humildade, Perdão e Perseverança, devolve a conquista de verdade, a que demora: o fôlego que volta, a escada que você sobe sem parar no meio. A Utilidade dá o reconhecimento que vem do que você faz, e não da garrafa que você ergue.

No horizonte, no Topo da Pirâmide, estão o Amor ao Próximo e a Ajuda ao Próximo. Não é por acaso que um dos tratamentos que mais ajudam no álcool é o grupo de iguais, em que quem já saiu estende a mão para quem está chegando. É ali que volta o "para quê" maior do que o copo.

O objeto pode voltar a ser objeto

Nada disso pede que você odeie o cigarro ou o copo. Pede que você descubra o que eles estão pagando, e que pague essa Falta de outro jeito, com cuidado de saúde, com vínculo e com virtude praticada todos os dias até virar caminho.

Quando isso acontece, o objeto perde a força. Não porque foi proibido, mas porque deixou de ter alguma coisa para oferecer. Um dia, o charuto volta a ser só um charuto. E o copo volta a ser só um copo.

Se você bebe muito todos os dias, não pare de uma vez e sozinho: a abstinência de álcool pode causar convulsão e delírio, e pede acompanhamento médico. Tremor forte, confusão ou convulsão nos dias depois de parar são emergência: ligue para o SAMU, no 192. Para parar de fumar ou de beber, procure uma Unidade Básica de Saúde ou um CAPS AD, que atendem pelo SUS, e considere um grupo de apoio. Se, junto com a vontade de usar, vier a vontade de morrer, ligue para o CVV, no 188, de graça e a qualquer hora.

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